10. CULTURA 7.8.13

1. CINEMA - NA TRILHA DE GODZILLA
2. LIVROS - O DITADOR DEPRIMIDO
3. EM CARTAZ  CINEMA - EM CASA COM SHAKESPEARE
4. EM CARTAZ  LIVROS - AMOR E MEMRIA
5. EM CARTAZ  MSICA - O SOM SEM FRONTEIRAS DE BUIKA
6. EM CARTAZ  TEATRO - PARCERIA QUE DEU CERTO
7. EM CARTAZ  FESTIVAL - UM PROGRAMA BEM ANIMADO
8. EM CARTAZ  AGENDA - CINEMA JUDAICO/OSCAR MICHEAUX/UMA VIDA NO TEATRO
9. ARTES VISUAIS - O CANTO DA SEREIA
10. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - EROS E CIVILIZAO

1. CINEMA - NA TRILHA DE GODZILLA
A superproduo "Crculo de Fogo" revive os monstros japoneses do passado e lana mo de uma srie de truques e achados que fazem o sucesso dos filmes atuais
Ivan Claudio

Monstros submarinos maiores que arranha-cus, com pegadas que lanam carros s alturas e braadas que destroem prdios, pontes e tudo que veem pela frente. A gerao que atualmente lota os cinemas em filmes de super-heris certamente nunca se encolheu nas poltronas assistindo  fria dessas criaturas gigantescas que fizeram sucesso no passado. Mas agora poder experimentar o mesmo medo infantil em Crculo de Fogo (cartaz na sexta-feira 9), homenagem do cineasta mexicano Guillermo Del Toro aos clssicos filmes japoneses de Godzilla. Projeto antigo do diretor, o arrasa-quarteiro de US$ 190 milhes vem agora  luz por dois motivos. O primeiro  que o monstrengo semelhante a um dinossauro (que, alis, deu nome a dois fsseis desses seres pr-histricos) completa 60 anos em 2014  nesse caso, a produo abocanha o filo antes de ele ser oferecido como iguaria. Pesou tambm na aprovao dos estdios o fato de o longa de Del Toro ser um filme que soma alguns elementos de recente sucesso nas telas, a saber: a interao entre robs e humanos, o uso de armaduras de ferro, seres anfbios e extraterrestres e, claro, o gigantismo da escala de todos eles.

TRANSFORMERS NO MAR - Os robs gigantes (acima) so digitais, mas o seu interior  real e exigiu acrobacias dos atores

Para atrair o pblico aos cinemas nos dias de hoje, as superprodues precisam pensar grande e exibir dimenses em igual medida. Em O Homem de Ao, nova aventura do Super-Homem, o protagonista no levanta um carro: sustenta nos ombros uma imensa plataforma petrolfera. Da mesma forma, em Wolverine Imortal, o mutante no participa de um pega de carros banal. Ele surfa no teto de um trem-bala numa alucinante luta com um bandido que dura mais de cinco minutos. Para oferecer a mesma sensao de montanha-russa, Del Toro concebeu uma guerra apocalptica entre os nojentos Kaiju (as colossais criaturas marinhas) e os imensos robs tripulados por humanos denominados Jaeger. 
 A ao se passa em cidades como Tquio e Hong Kong, mantendo, assim, o esprito dos chamados daikaju eiga, filmes de monstros, e dos anime de mecha (robs tripulados), uma tradio to japonesa como o faroeste para os EUA.

Ao abrir mo de dirigir a trilogia O Hobbit e criar uma histria envolvendo mquinas gigantes, Del Toro foi acusado de aproveitar a onda de Transformers, cujos quatro episdios j faturaram US$ 2,7 bilhes. Pesa a seu favor o fato de a trama de Crculo de Fogo ser mais imaginativa. Para manipular as geringonas enferrujadas, so precisos dois pilotos versados em artes marciais, pois eles controlam os seus comandos como se jogassem um videogame cujo console casa perfeitamente com o movimento da mquina. Precisam tambm estar com os crebros em simbiose num processo chamado de neuroconexo. Ou seja, a dupla funciona  perfeio quando est amando e esse detalhe afasta o lado sentimental da afeio demonstrada entre os protagonistas Raleigh Becket (Charlie Hunnan) e Mako Mori (Rinko Kikuchi), selecionados para comandarem o rob Gipsy Danger. Segundo Del Toro, seu design  inspirado nos prdios Empire State e Chrysler, de Nova York, e no gestual de John Wayne, o que mostra o humor do projeto. Gosto de trabalhar com seriedade em gneros que as pessoas acham babacas, disse ele.

Mais do que o enredo, o que seduz no filme  o incrvel visual que exigiu sacrifcio de atores e artistas de efeitos especiais. Os lutadores, por exemplo, usaram uma armadura que mesmo feita de plstico mais leve pesava 15 quilos. O cockpit dos robs envolveu outro desafio: foi montado numa plataforma hidrulica pesando 20 toneladas, definida como mquina elptica do inferno. Afora isso, tinha os banhos com 100 gales de gua a cada sequncia, j que chove sem parar no futuro no muito distante do filme, passado em 2020.


2. LIVROS - O DITADOR DEPRIMIDO
Nova biografia de Getlio Vargas revela face melanclica do estadista que mais de 20 anos antes de se matar j fantasiava com a prpria morte
Ana Weiss

Uma guerra civil, um levante comunista, um golpe de Estado, duas constituies, uma guerra mundial e muitas, muitas cises polticas e militares. O segundo volume da trilogia que pretende dar conta da vida do ex-presidente Getlio Vargas atravessa um dos mais conturbados e revistos perodos da histria brasileira  o que compreende os anos de 1930 a 1945, como avisa o subttulo do livro que chega s lojas no prximo fim de semana. Mas o maior interesse de Getlio: do Governo Provisrio  Ditadura do Estado Novo (1930-1945) (Companhia das Letras), do jornalista Lira Neto, no se encontra nos fatos histricos, mas no retrato exasperado, hesitante e quase sempre decepcionado do estadista.

AMERICANIZADO - Foto para a revista "Life", em 1941, na poca do chamado "discurso da virada pr-americana"

Dono de dois Jabutis, ambos por biografias (de Jos de Alencar e Padre Ccero), Lira Neto municiou-se dos dirios de Getlio (ao todo, 13 cadernos), de sua correspondncia pessoal e de longas conversas com a neta do governante, a sociloga Celina Vargas do Amaral, para recontar esse trecho da saga getulista  a primeira, que abarca a formao do advogado gacho at a tomada do poder, permaneceu por 11 semanas na lista dos mais vendidos em So Paulo. A leitura, mais ainda que na obra anterior, transcorre numa constante oposio entre a onipotncia e as aes truculentas e precisas do poltico e seu comportamento melanclico longe das cmeras, em desabafos desanimados e fatalistas, como se vivesse sempre em via de desistir.

Ao assumir o poder provisrio, Getlio no tinha 50 anos. Mas j na poca mal dormia  noite e cochilava durante o dia, no meio do expediente, por cantos no to discretos dos edifcios pblicos da capital do Pas, o que rendia a fotojornalistas do Rio de Janeiro material de encher os olhos da oposio. Sua indisposio preocupava os companheiros polticos. Teu pai anda escrevendo umas coisas em um caderninho que ele esconde sempre.

FORMAO - Getlio, em visita  Escola de Comando e Estado-Maior do Exrcito, em 1938, ano de consolidao do Estado Novo e do fim do romance com Aime Simes Lopes

Hoje ele me leu algumas notas que me deixaram preocupado, escreveu Oswaldo Aranha, em 1932, a Alzira Vargas, primognita do lder do Estado.
 Em 1932, ou seja, 22 anos antes de dar cabo  prpria vida, Getlio rascunhou, numa das cadernetas que hoje pertencem  fundao que leva seu nome, um primeiro bilhete suicida. Durante a Segunda Guerra Mundial, ao declarar-se contra o Eixo, registra mais uma vez que no aguentaria o fato de poder ter tomado a deciso errada. At a vspera de sua queda, em 1945, muitas outras anotaes revelam uma fantasia recorrente do caudilho: morrer em combate. Em um ataque ao Palcio da Guanabara, o livro conta que os filhos tiveram de insistir para que ele sasse da mira dos atiradores.

Os meses que se seguiram a essa invaso a balas da residncia dos Vargas (encerrada com o fuzilamento dos rebeldes integralistas dentro dos domnios do prdio oficial) trazem uma lacuna nas linhas de infelicidade e desapontamento dos dirios do presidente. Mal as balas do ataque  famlia foram recolhidas, Getlio se dirigiu para a garonnire onde se encontrava com Aime Simes Lopes, que alcunhara de Bem-Amada em suas anotaes. Mas a amante o deixaria naquele mesmo ano. Nos meses que se seguiram, os dirios voltam a suas cores soturnas. Foi uma fase em que o presidente passava horas de suas tardes a olhar para a cama vazia onde vivera, em plena implantao do Estado Novo, uma paixo alucinante e absorvente, da qual parece nunca ter se recuperado. Mais tarde ele escreveria que com o fim daquele ano, 1938, tambm terminava o que seria sua fina razo de viver.

E, como ensina a escola da literatura melanclica, ironia e sarcasmo no faltavam, mesmo em momentos limtrofes, como quando o tiraram do poder, cortando a energia eltrica do Guanabara. Isso est mais parecendo uma ao de despejo que um golpe de Estado. S falta aparecer o oficial de justia, escreveu.


3. EM CARTAZ  CINEMA - EM CASA COM SHAKESPEARE 
por Ivan Claudio

Ao terminar as filmagens de Os Vingadores, o diretor Joss Whedon decidiu relaxar e rodar um filme totalmente oposto  quebradeira anterior. Muito Barulho por Nada (estreia na sexta-feira 9) nasceu de um exerccio entre amigos, que se reuniam na casa do diretor para ler clssicos de William Shakespeare. No auge da brincadeira, Whedon decidiu ligar a cmera e filmou l mesmo, entre os cmodos de sua casa, o delicioso embate do casal Beatriz e Benedicto, vivido pelos amigos Amy Acker ( dir.) e Alexis Denisof. Inteiramente em branco e preto, o longa respeita o texto original, com cenas redesenhadas a partir de esteretipos das relaes contemporneas. Dentro da proposta caseira, o diretor tambm assina parte da trilha sonora, em parceria com o seu irmo Jed Whedon.

+5 verses atuais de Shakespeare
CORIOLANO (FOTO) 
Ralph Fiennes dirige e atua nesta verso da tragdia do general romano que se volta contra a cidade que at ento defendia

ROMEU E JULIETA 
 Leonardo DiCaprio  o herdeiro dos Montecchio e Claire Danes faz a filha dos Capuleto

AMOR, SUBLIME AMOR
 Casal vive romance proibido por pertencer no a famlias rivais, como no original, mas a gangues juvenis

O  Otelo  um jogador de basquete convencido da infidelidade de sua namorada com um parceiro de equipe

10 COISAS QUE EU ODEIO EM VOC
 Verso adolescente de A Megera Domada, com Heath Ledger e Julia Stiles


4. EM CARTAZ  LIVROS - AMOR E MEMRIA 
por Ivan Claudio
Comparado a Vladimir Nabokov pelo estilo limpo e preciso, o escritor irlands John Banville firmou-se como um dos nomes de peso da literatura britnica e sempre  cotado ao Nobel. Em Luz Antiga (Biblioteca Azul), ele prova por que  merecedor desses elogios ao narrar a histria de um ator decadente cuja paixo por uma atriz que interpreta sua filha suicida o leva a amargas recordaes de amores passados. O livro forma uma trilogia com Eclipse e Shroud, com lanamento previsto no Brasil.


5. EM CARTAZ  MSICA - O SOM SEM FRONTEIRAS DE BUIKA
por Ivan Claudio
A cantora espanhola Buika j havia gravado cinco CDs antes de participar do filme A Pele Que Habito, de Pedro Almodvar. Mas foi a partir da que ganhou projeo internacional. Com o reconhecimento, ela ampliou os limites de sua msica, antes restrita ao flamenco, com tinturas de jazz e latinidade. Em La Nocha Mas Larga ela grava o bolero Siboney, de Ernesto Lecuona, e a chanson Ne Me Quitte Pas, de Jacques Brel. A infncia em Palma de Mallorca, quando ouvia clssicos de jazz tocados por sua me,  lembrada em Dont Explain, de Bille Holiday, uma das muitas influncias de seu canto sem fronteiras.


6. EM CARTAZ  TEATRO - PARCERIA QUE DEU CERTO
por Ivan Claudio
Apaixonar-se  um erro emocional, diz o escritor Paulo Donetti (Paulo Hamilton)  revisora Beatriz (Ana Paula Secco). A frase ecoa no espetculo que leva o nome da protagonista, em cartaz no Teatro Leblon, no Rio, at 28/8. Os dois atores em cena no dialogam apenas: expressam seus pensamentos sobre os temores, dvidas e desejos que lhes acometem. Ele  sarcstico, ela  desconfiada. Ele quer recuperar seu sucesso literrio, ela quer ter um filho com um homem que ame. Encenada pela trupe carioca Cia Atores de Laura e dirigida por Daniel Herz, a narrativa se baseia nos livros Beatriz e Um Erro Emocional, do escritor catarinense Cristvo Tezza, do qual levou aos palcos Filho Eterno.


7. EM CARTAZ  FESTIVAL - UM PROGRAMA BEM ANIMADO
por Ivan Claudio
Segundo maior festival de animao do mundo, o Anima Mundi (Rio de Janeiro, at 11/8; So Paulo, a partir de 14/8) vai exibir mais de 500 criaes na linguagem que vem arrebatando o pblico dos cinemas. Alm de oficinas e aulas abertas com profissionais estrangeiros, a mostra chega  21a edio mantendo a proposta de garimpar talentos e futuros sucessos. Uma Histria de Amor e Fria, de Luiz Bolognesi, tem sua segunda chance no festival. O longa futurista, que tem as vozes de Camila Pitanga, Selton Mello e Rodrigo Santoro, levou, em junho, o primeiro prmio do Festival de Annecy, na Frana, o maior da categoria.


8. EM CARTAZ  AGENDA - CINEMA JUDAICO/OSCAR MICHEAUX/UMA VIDA NO TEATRO 
Conhea os destaques da semana
por Ivan Claudio

Cinema judaico
(So Paulo, vrios locais, a partir de 6/8)
 O novo filme de Daniel Burman, A Sorte Em Suas Mos, com o cantor Jorge Drexler, est entre os 30 ttulos do festival

Oscar Micheaux
 (CCBB, Braslia, at 15/8)
 O diretor americano  o destaque da retrospectiva de filmes produzidos por e para negros nos EUA entre as dcadas de 1920 e 1950

Uma Vida No Teatro 
 (Teatro Vivo, So Paulo, at 4/8)
 Francisco Cuoco e ngelo Paes Leme so atores de diferentes vises de mundo. O texto de David Mamet tem direo de Alexandre Reinecke


9. ARTES VISUAIS - O CANTO DA SEREIA
MAM SP apresenta os mitos amaznicos que esto na origem do surrealismo de Maria Martins
por Paula Alzugaray

Maria Martins: Metamorfoses / Museu de Arte Moderna de So Paulo/ at 15/9

Conta a lenda amaznica do Uirapuru que um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa de um cacique e, para se aproximar dela, pediu a Tup que o transformasse em pssaro. O canto do Uirapuru, considerado o mais lindo da Amaznia, seduziu a moa, o cacique (que se perdeu na mata atrs do pssaro), e segue encantando geraes de artistas brasileiros. A comear por Tarsila do Amaral, que pintou o mito em 1928. A magia do homem transformado em pssaro tambm encantou a escultora mineira Maria Martins (1894-1974), que ao longo da carreira esculpiu o Uirapuru, a Cobra Grande, Boina e outros deuses e monstros hoje expostos em retrospectiva no MAM-SP.

HBRIDOS - Esculturas em bronze Boiuna (acima) e Uirapuru evocam natureza original

A exposio Maria Martins: Metamorfoses traz 30 esculturas, realizadas nos anos 1940, que mostram como os mitos amaznicos e afro-brasileiros influenciaram decisivamente sua obra, associada por Andr Breton, autor do manifesto surrealista, a uma fonte primitiva. O conjunto de esculturas de personagens-mitos da floresta tropical demarca, segundo a curadora Veronica Stigger, uma mudana decisiva na concepo formal de seus trabalhos. Foi nessas esculturas que a figura humana  antes representada de forma tradicional  comea a ser entrelaada a cips, folhas, galhos, algas e outros elementos da natureza, dando incio a um processo de metamorfoses que culminaria com a clebre e monumental escultura Impossible, tambm na exposio. A figura humana comea a se integrar  natureza, confundindo-se com esta e metamorfoseando-se nela, escreve Veronica. Yara, Yemanj, Boto e outros cantos ressoam da obra de Maria Martins. Seu grito em direo ao impalpvel  ouvido em esculturas como O Canto do Mar e O Canto da Noite, ttulo que ela toma emprestado de Nietzsche.


10. ARTES VISUAIS  ROTEIROS - EROS E CIVILIZAO
Contratempo - Lia Chaia / Galeria Vermelho, SP/ at 17/8
por Paula Alzugaray

A natureza domada pela civilizao, e substituda pelo artifcio, sempre esteve no espectro de viso da artista paulista Lia Chaia. Em seus trabalhos de escultura, instalao, vdeo, fotografia ou performance, ela frequentemente se refere a elementos naturais que perdem sua organicidade ou a corpos biolgicos em desequilbrio ou mutao. A artista se refere a esse estado de incerteza entre natureza e artifcio como um Contratempo, termo que intitula sua nova individual na Galeria Vermelho, em So Paulo.

Com a ideia de mutao da matria, a artista realizou, dez anos atrs, a foto-performance Folhngua (2003), em que sua lngua era convertida em folha verde de rvore. Nesta exposio, Lia volta ao tema na srie de fotografias Quadrada (2013), em que as folhas perdem seus contornos naturais ovalados e ganham formas angulares, quadradas e retangulares. A natureza continua viva, mas sob nova formatao, indicando o distanciamento da natureza original e a presena de uma outra natureza, bem mais prxima da forma gerada pela crescente racionalizao, sugere Miguel Chaia em texto crtico. 

SEGUNDA NATUREZA - "Mulher Seiva" e "Quadrada" so trabalhos que simulam mutaes genticas

Ainda sob a tica da mutao gentica, em Mulher Seiva (2013) a artista desenha a silhueta de um corpo feminino a partir de fitas verdes recortadas em forma do arabesco do smbolo do infinito. O resultado  uma imagem que remete tanto  cadeia de molculas de DNA quanto a uma trepadeira de plantas. Com essa imagem hbrida entre vegetal e humano, Lia nos transporta s Lianas, aos mitos e aos monstros das pesquisas da artista modernista Maria Martins, atualmente em retrospectiva no MAM SP.

Diferentemente de sua precursora, no entanto, Lia guarda com a natureza uma relao de ordem biopoltica. Vivendo em uma cidade como 
 So Paulo em pleno terceiro milnio, a jovem artista vivencia e transporta para seu trabalho uma natureza que est longe de seu estado original, como aquele encontrado por Maria Martins na Amaznia e em seus mitos ancestrais. Assim, ainda segundo Miguel Chaia, Lia tem como matria de trabalho uma segunda natureza, j impactada pela civilizao urbana.

Nesta exposio, isso se traduz em trabalhos fortes e impactantes como Alambrado (2013), escultura feita de carpete recortado naforma das telas protetoras de arame, ou A Queda, em que folhas secas ganham a cor cinza do asfalto, ao serem esculpidas em carpete.

